segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Empreender sem medo das incertezas

08:00:00
No dia 10 deste mês de novembro, foi aberta a Home Center Ferreira Costa, mais uma loja do grupo pernambucano que a mais de 131 anos atua no mercado de materiais de construções. Com aproximadamente 44 mil metros quadrados de loja, sendo 11 mil destinados a comercialização dos mais variados produtos destinados as construções e ao lar, a loja chama atenção não apenas por sua vaidade de itens, como com sua imponência e ousadia comercial. Não deixando de ressaltar a garra da família, que presente no evento de abertura, externou juntamente com seus funcionários, toda a admiração pelo Sr Cyro Ferreira Costa, neto do fundador, patriarca que acompanha o dia a dia da empresa com maestria e exemplo.

Fonte: Ferreira Costa
Nossa história com a Ferreira Costa começou há pouco mais de dois anos, quando fomos escolhidos para representa-los tecnicamente quanto as aprovações do empreendimento aqui em Aracaju. Em nossas primeiras reuniões, presentes a sócia diretora e arquiteta Lavinia Ferreira Costa e o arquiteto Luis Rangel, que assina todo o projeto de arquitetura e urbanismo do home center, vimos que o caminho a ser trilhado não seria nada fácil, não apenas pelo porte do empreendimento, como também por toda a relação para com a cidade, e principalmente, pela responsabilidade em representar uma empresa tão forte e tradicional no Nordeste.

Foram inúmeras reuniões com a equipe da Ferreira Costa e do escritório Rangel Moreira Arquitetos, inicialmente descrevendo e repassando as premissas de nossa legislação e detalhes de nossas normas que diferem de outras cidades. Com os projetos definidos, mas ainda em evolução, começamos nossa “romaria” para definições dos parceiros que desenvolveriam os demais projetos, além das relações iniciais com órgãos estaduais e municipais. Entretanto, apesar de todas as dificuldades, a vontade em evoluir e vencer era tamanha que contagiava a todos envolvidos, impulsionando sempre a busca por soluções e adequações.

Fonte: Pixabay
Bom, não tratando de todas as barreiras enfrentadas e todas as fases vencidas e ainda a vencer. Destaco o viés empreendedor do grupo e sua equipe, que em nenhum momento deixou qualquer entrave atrapalhar os planos de expansão da rede, sempre sustentando tal expansão ao potencial comercial da cidade, e do estado. Ficou claro que todas as premissas comerciais e mercadológicas de desenvolvimento e criação do empreendimento foram extremamente estudadas, e que estas, fundamentaram os projetos. Assim, fortalecendo cada vez mais a crença de que quando um projeto é sustentado em premissas comerciais sólidas, mesmo com possíveis dificuldades de mercado, é possível viabilizar e ter resultado.

Empreender no Brasil pode ser e sempre será um grande desafio, um caminho tortuoso e incerto, ainda mais para empresas já consolidas, que em alguns casos são vencidas por grandes multinacionais, vencidas pelas transições entre gerações, pela burocracia e impostos, e mesmo pelo próprio tempo. Claro que a estratégia empresarial de cada empreendedor é fator decisivo para o futuro das empresas, as vezes a melhor estratégia é vender a empresa, é fundi-la a outros grupos, e quem sabe até sair do mercado original, mas o ponto a destacar é que a inércia empresarial deve ser sempre questionada, enfrentada e vencida.

Fonte: Pixabay
Enfim, dois anos de parceria com todos da Ferreira Costa, e com muitas lições aprendidas, fica claro que não deve haver tempo certo para empreender, para inovar, para sonhar e realizar. Seja com 131 anos, seja com apenas 01 ano de vida, aprofunde seu conhecimento de mercado, se sustente em crenças sólidas e enfrente as adversidades com foco, e as incertezas deixarão de existir para você e só passarão na cabeça do seu concorrente.

Autor:  Expedito Júnior
            Arquiteto e Urbanista
            Especialista em Gestão Urbana e Ambiental
            CAU - RN: A39243-0
           

Matéria publicada originalmente no jornal Cinform no dia 14/12/2015, também disponível no site da IMMOBILE Arquitetura

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Legislação x boa arquitetura

08:00:00
Como de costume, inicio a semana pesquisando e lendo um pouco mais sobre mercado imobiliário e questões urbanas, levando em conta todos os burburinhos da crise e ações criativas pelo Brasil afora. Aprofundo neste período minha leitura nas temáticas de Gestão Compartilhada e Viabilidade Econômica, entretanto, foi um dos blogs que acompanho, o Caos Planejado, que mais prendeu minha atenção com um dos seus temas. A página trata de como a legislação impede a boa arquitetura, relatando as relações de restrições legais à conformação urbana.

Fonte: Freepik
Bem, apesar do desenrolar do texto tratar de outro município, Porto Alegre, concordei de imediato com a afirmativa do Arquiteto Rodrigo Petersen, que em alguns momentos as determinações são tão restritivas que o “Plano Diretor praticamente assume o papel de Arquiteto, ‘desenhando’ o empreendimento com seu conjunto de normas”. Então, parei e comecei a fazer analogias com a nossa realidade, levando em conta principalmente as novas tratativas que a revisão do Plano Diretor trará, a qual vem jogando abaixo boa parte das práticas arquitetônicas e urbanas dos últimos 12 a 15 anos, não levando em conta se tais práticas eram certas ou erradas, melhores ou piores do que se propõem, e sim, simplesmente mudando.

Não levantando a discussão quanto ao que o novo Plano Diretor pretende, quero retomar a afirmativa do colega arquiteto, pois, realmente a identificação é imediata na relação dos nossos projetos com as restrições exacerbadas. Entendo perfeitamente boa parte das restrições e acredito que algumas são extremamente necessárias, sejam quanto a segurança, quanto a permeabilidade do solo, das relações urbanas e sociais, dentre outras. Agora, realmente o PDDU – Plano de Desenvolvimento Urbano, juntamente com o Código de Obras, restringe nossa capacidade de criar e imaginar. Projetamos e idealizamos com a legislação no colo, e esta, sendo levada como uma borracha, usada a cada traçado, a cada solução a ser proposta. Não esquecendo do pior, que são as interpretações da legislação, às vezes de maneira consensual ou impeditiva, e de outras vezes incompreensíveis.

Conversa entre parceiros da arquitetura
Fonte: Freepik
Diante de nossa realidade, temos nossa formação de arquitetura e urbanismo, mas devemos assumir um pouco do papel do engenheiro, do advogado, do ambientalista, do bombeiro, do fiscal de obras, do economista, do usuário, dentre outros papéis múltiplos. Como defendemos a Arquitetura Pensada, idealizada para viabilizar em todas esferas os seus projetos, vejo que sempre é possível inovar, mesmo em meio a tantas restrições e burocracia. Os prédios e soluções arquitetônicas podem e devem se repetir como respostas a restrições, mas haverá um momento que a criatividade surgirá como solução a tais restrições, e a arquitetura passa a representar a inovação, não apenas um desenho burocrata. Inovar é necessário, mesmo que o cenário não seja nada favorável, pois ou criamos algo novo, ou remodelamos algo antigo.

Enfim, quem sabe nossos colegas arquitetos e urbanistas passem a criar e imaginar mais, antes do desenvolvimento de novas restrições. Quem sabe podemos ser limitados pela exigência do mercado consumidor e não apenas por predeterminações. Quem sabe a boa arquitetura retomará sua liberdade de criação, sem amarras legais e financeiras. Quem sabe o mercado imobiliário não passará a exigir mais de nossos projetos, e que estes não sejam apenas soluções da engenharia financeira.

Autor:  Expedito Júnior
            Arquiteto e Urbanista
            Especialista em Gestão Urbana e Ambiental
            CAU - RN: A39243-0  
           

Matéria publicada originalmente no jornal Cinform no dia 30/11/2015, também disponível no site da IMMOBILE Arquitetura


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O diálogo com o mercado

08:00:00
Participação 12° jornada de arquitetura - UNIT

Na última quarta-feira, 11, participei da 12ª jornada de Arquitetura da Universidade Tiradentes, entidade de ensino onde me formei como Arquiteto e Urbanista em 2003. Integrei a mesa redonda para discussão quanto ao tema “A cidade que a gente quer”, onde apresentei três pontos relacionados ao mercado imobiliário, fundamentais para o desenvolvimento da cidade. Na oportunidade, também pude descrever um pouco de minha trajetória profissional, através das empresas Immobile Arquitetura e Nova Sergipe. Mas destaco, neste artigo, um dos pontos apresentados que deveria sempre estar presente na relação entre todos e tudo.

Destaquei em minha apresentação, os seguintes pontos: a verticalização como fator inevitável ao desenvolvimento das cidades, no entanto, buscando uma forma mais ordenada e com controle sobre a densidade; As comunidades planejadas, novo conceito para os bairros planejados, cujas áreas são organizadas de forma a garantir uma ocupação inteligente e sustentável dos espaços urbanos; e por último, o diálogo entre as iniciativas pública e a privada, destacando que devemos deixar de lado as indiferenças de pensamentos e as acusações mútuas para que as ações de desenvolvimento das áreas urbanas, e mesmo a cidade, possam ser alinhadas para o bem coletivo. Ainda, no final de minha participação, convergi os três pontos para um conceito que vem crescendo em todo o mundo, que são as “smart cities”, ou cidades inteligentes, onde há um maior envolvimento no desenvolvimento sustentável destes locais, tendo como grande propulsora dessa dinâmica, a tecnologia e as relações urbanas.
 12° Jornada de arquitetura e urbanismo

Mas concluída as apresentações e abordagens dos demais profissionais envolvidos na mesa redonda, como a amiga e arquiteta Sarah França, percebi que devo entender melhor as relações entre a cidade através do diálogo, seja com outros profissionais da área, com as entidades de ensino, públicas, empresas e a sociedade em geral. O diálogo surgiu como ponto de reflexão e análise quando do entendimento das relações urbanas. Mas pude ir além, já que é possível identificar que alguns empreendimentos, projetos e construtores, não dialogam com a cidade, com o mercado e até mesmo, com os seus clientes. Parei para me questionar quanto aos empreendimentos que não vendem, que não são bem aceitos pelo público. Será que eles não têm algo para aprendermos? Como podemos entender melhor o diálogo junto ao mercado? E através do cliente?

Bem verdade que o diálogo deveria estar presente em todas as relações, sejam pessoais ou não. Remeto a diversas ocasiões que dúvidas, esclarecimentos e até discussões fervorosas, poderiam ser resolvidas antecipadamente com um simples diálogo. Ressalto que esta abertura comunicacional é a pura manifestação de ideias, uma troca de impressões e entendimentos, mesmo que não gerem um resultado único, mas permitindo um entendimento das partes envolvidas. E assim, reforço minhas indagações do porquê não dialogarmos mais com o mercado e seus envolvidos. Tenho certeza que os produtos imobiliários mais bem aceitos pelos clientes, são resultado da transmissão mais clara em atender desejos e anseios dos seus compradores, ou seja, houve uma boa troca de ideia entre demanda e oferta.

Discussão em grupo para evolução

Em tempo de crise, de incertezas e questionamentos, a troca de informações do mercado deverá ser uma excelente forma de evolução para todos, desde que possamos identificar o que se pretende dizer. Enfim, é conversando que a gente se entende. Por isso, o intercâmbio proporcionado junto aos acadêmicos, professores e colegas durante esta Jornada de Arquitetura em 2015 trouxe troca, ideias, compartilhamento de conhecimento e claro, um maior amadurecimento entre os presentes. Agradeço publicamente através deste espaço, a iniciativa da Universidade Tiradentes e o convite feito a este arquiteto para participar do sublime momento.

Autor:  Expedito Júnior
            Arquiteto e Urbanista
            Especialista em Gestão Urbana e Ambiental
            CAU - RN: A39243-0    
           

Matéria publicada originalmente no jornal Cinform no dia 16/11/2015, também disponível no site da IMMOBILE Arquitetura

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Esperança que se renova?

08:00:00
Para muitos o ano foi perdido, para outros as coisas ainda vão piorar, mas tenho certeza que para quem participará e visitará a Feira de Imóveis da Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário (ADEMI-SE), de 4 a 7 de novembro, boas surpresas estarão reservadas no Iate Clube, local onde ocorrerá o evento. Apesar de inúmeras campanhas de vendas lançadas durante o ano e outros esforços individuais das construtoras, vistos em diversas mídias, sabe-se que é em um evento do setor imobiliário que toda a força de venda se concentra.


Diante do cenário atual, já posso antever que serão poucas as construtoras com grandes novidades, e que também todas as participantes estarão dispostas a negociar e fechar novos contratos. Assim, o momento será extremamente propício à realização do sonho de adquirir a casa própria, com preços e condições especiais. Seja com a aquisição de novos empreendimentos, seja com a compra de imóveis em construção ou prontos para morar, os compradores e as construtoras devem estar atentos a tudo em volta, levando a fundo os questionamentos do personagem principal desta história: o cliente. O comprador por sua vez deve sempre pesquisar e não ser iludido por promoções mirabolantes, comprando o empreendimento realmente adequado a sua realidade financeira e que represente de forma geral, o sonho da casa própria. Além das condições financeiras favoráveis à aquisição, vale investigar se a área de lazer contempla a todos os integrantes da família, bem como se o imóvel proporciona comodidade e conforto para as atividades rotineiras. Para os construtores, incorporadores e imobiliárias, destaco que o momento é de atenção às reações dos clientes, ao entendimento do próprio mercado.


A preocupação do cliente até já pode ser entendida em virtude do próprio momento do País e as inúmeras notícias e informações repassadas pela mídia diariamente, mas para construtores e imobiliárias, o alerta deve ser levado mais a sério. É fácil encontrarmos falhas na comunicação na venda de produtos, despreparo de alguns quanto ao conhecimento dos projetos vendidos, a falta de traquejo em conduzir negociações, a repetições de modelos antigos de projetos e marketing, a falta de inovações que possam atrair os clientes, o entusiasmo em realizar o sonho daqueles que o buscam, dentre outros inúmeros fatores. Assim, alerto que a esperança será renovada para aqueles que souberem aproveitar a oportunidade de aprender com seu próprio mercado, que estiverem atentos aos sinais e puderem evoluir a cada momento, pois, vender bem hoje um produto comum, não quer dizer que ele será aceito nos dias vindouros.

Este puro conceito de esperança, entendido como estado em que se crê naquilo que se deseja ou pretende, é possível. Este sentimento sempre norteará o mercado imobiliário e seus consumidores. Mas não será de esperança que as empresas se manterão. É tempo de mudar e evoluir, inovar e buscar maior autoconhecimento. Clientes e mercados mais exigentes demandarão produtos e soluções melhores, e assim, concluo que tenho esperança não apenas na Feira de Imóveis que acontecerá, como também, que o futuro da incorporação imobiliária evoluirá de forma criativa e inovadora.

Autor:  Expedito Júnior
            Arquiteto e Urbanista
            Especialista em Gestão Urbana e Ambiental
            CAU - RN: A39243-0      
           

Matéria publicada originalmente no jornal Cinform no dia 02/11/2015, também disponível no site da IMMOBILE Arquitetura

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Mercado Imobiliário - Algumas designações

03:57:00
Em muitos momentos do nosso dia a dia tratamos de conceitos característicos ao mercado imobiliário, no entanto, nem sempre é do conhecimento dos nossos interlocutores algumas das designações usadas, mesmo que apenas sejam do cotidiano e não designações técnicas. Desta forma, acredito ser interessante descrever alguns destas designações usadas, ou todos saberiam dizer o que é “incorporação imobiliária”, o que seria VGV, INCC, IGPM, CUB, “especulação imobiliária” e a tal “bolha imobiliária”.


Relaciono abaixo algumas destas designações retiradas de livros e das nossas pesquisas:
  • VGV – Valor Geral de Vendas é a designação para a somatória dos valores de venda de todas as unidades de um empreendimento imobiliário. Se temos um empreendimento com 24 unidades e estas estão sendo vendidas por R$ 200.000,00 mil cada, temos um empreendimento com o VGV de R$ 4.800.000,00 milhões;
  • CUB – Custo Unitário Básico da Construção, que reflete a variação mensal dos custos de materiais e mão-de-obra, através de metodologia própria estabelecida em norma brasileira editada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT. Os valores do CUB são importantes para identificação preliminar dos custos das edificações, dos empreendimentos, projetos, normalmente sendo usados no desenvolvimento da viabilidade dos empreendimentos;
  • INCC - Índice Nacional de Custo da Construção, elaborado pela Fundação Getúlio Vargas, com finalidade de apurar a evolução dos custos das construções habitacionais. Normalmente é utilizado no mercado imobiliário para correção dos contratos de compra de imóveis, enquanto a obra está em execução. Assim, as correções nas parcelas das unidades adquiridas na planta, são corrigidas por esse índice;
  • IGPM - Índice Geral de Preços do Mercado é o indicador de movimento dos preços calculado mensalmente pela Fundação Getúlio Vargas – FGV, e divulgado no final de cada mês de referência. É o índice utilizado no mercado imobiliário para correção nas parcelas após entrega das unidades e usualmente na correção de alugueis;
  • Incorporação Imobiliária – De forma mais simples, poderíamos considerar que seriam as atividades desempenhas para formalizar junto a matricula do imóvel a incorporação de um empreendimento imobiliário a ser vendido totalmente ou parcialmente. Ou ainda, de forma mais técnica é o conjunto de atividades exercidas com a finalidade de construir ou promover a construção de edificações ou conjunto de edificações, bem como a sua comercialização, total ou parcial, compostas de unidades autônomas que, em seu conjunto, formam um condomínio;
  • Especulação imobiliária – Entendo que seria a ação dos proprietários de terrenos em manter suas áreas desocupadas aguardando a valorização de sua circunvizinhança, seja através da melhoria na infraestrutura ou seja pelo próprio crescimento imobiliário na localidade. Ou seja, o especulador imobiliário só desenvolverá algo em sua área quando houver uma consolidação do mercado imobiliário ao seu entorno. Diferente do que alguns acham que seria quanto a desenvolver grandes empreendimentos imobiliários;
  • Bolha imobiliária – Terminologia que passou a ser usada após crise do mercado imobiliário americano. A “bolha imobiliária” seria o ápice do problema de oferta e procura no mercado imobiliário, onde teríamos um crescimento acelerado na oferta de empreendimento sem o acompanhamento da compra destes, além do problema com grande oferta de imóveis, a bolha surgiria da supervalorização dos imóveis, da falta de crédito e da insegurança jurídica do mercado, por exemplo.

O conhecimento de algumas designações servirá para maior entendimento do próprio mercado, seja para a conversa em um estand de vendas, seja para a concretização de um contrato de compra e venda de um imóvel. Sugiro que a busca para o entendimento de outros conceitos seja contínua e diversificada. Aqui pretendemos apenas dar o pontapé inicial.

Autor:  Expedito Júnior
            Arquiteto e Urbanista
            Especialista em Gestão Urbana e Ambiental
            CAU - RN: A39243-0        
           

Matéria publicada originalmente no jornal Cinform no dia 19/10/2015, também disponível no site da IMMOBILE Arquitetura


sábado, 10 de outubro de 2015

Aracaju: Mercado de 77 mil imóveis

08:00:00
Como consultor e responsável pelo desenvolvimento de muitos empreendimentos no mercado imobiliário, sigo a rotina de sempre buscar informações sobre novidades, tendências e dados que possam somar, e mesmo, multiplicar quando da criação de um novo projeto ou consultoria de nossas empresas. Agora, fiquei surpreso quando dei início a leitura da reportagem publicada sobre o mercado Sergipano na edição n. 170 de setembro da Construção Mercado, pois não sabia que tínhamos uma demanda de 77,4 mil unidades habitacionais, dado esse fornecidos ao jornalista Rodrigo Petry pela Fundação João Pinheiro em parceria com o Ministério das Cidades e outras entidades.


Continuei a leitura e vi que esses dados são de 2012, mas apesar de passados 03 anos, seria possível identificar que não reduzimos pouco essa demanda, e ainda que tal número tem uma representatividade muito grande já que equivale a aproximadamente 12% da população aracajuana, e observe que não faço equivalência da quantidade de pessoas que residiriam nestas unidades. Aprofundando mais este dado, a reportagem nos apresenta que das 77,4 unidades demandadas, aproximadamente 64 mil unidades estariam na linha do Minha Casa Minha Vida e pouco mais 13,4 mil unidades estariam enquadras nos diversos padrões de unidades habitacionais.

Apesar de não esquecer o cenário político e econômico do nosso País, e de forma local, do nosso Estado e Município, acredito plenamente que estes números nos mostram a possibilidade de crescimento contínuo do mercado imobiliário local, mesmo que não tão acelerado como no passado. Tal afirmação alinha-se aos dados da reportagem citada e a fatos mais claros no nosso dia a dia, ou seja, fatos que percebemos na própria evolução da cidade, como a vinda de pessoas de outras localidades do Brasil para morar em Aracaju, e o próprio crescimento da capital sergipana e da sua população.


Após maior envolvimento com os números apresentados na reportagem, e outras pesquisas, todos os envolvidos no mercado imobiliário podem e devem deixar claro que os próximos passos a serem dados é o de identificação deste público demandante das 77 mil unidades. Quem seriam realmente estas pessoas? Quais tipos de empreendimentos desejam, sonham e podem adquirir? Quais as localidades mais desejadas? E acima de tudo, como identificar esse potencial e transformá-lo em resultado para o próprio mercado, para a própria cidade?

Chamo a atenção que tal reportagem deve ser bem analisada e vista pelas entidades públicas, visto que o desenvolvimento urbano aracajuano obrigatoriamente passará pelo crescimento do próprio mercado imobiliário, e a melhor solução da equação entre o crescimento e o mercado será o diálogo entre seus atores, buscando atender e ser atendido.

Enfim, muito ainda deve ser feito para o contínuo crescimento do mercado, e consequentemente, da cidade, não esquecendo dos desafios em projetar com responsabilidade, de forma sustentável para o meio ambiente e com o pensamento no futuro de nossa malha urbana.

Autor:  Expedito Júnior
            Arquiteto e Urbanista
            Especialista em Gestão Urbana e Ambiental
            CAU - RN: A39243-0        
           

Matéria publicada originalmente no jornal Cinform no dia 05/10/2015, também disponível no site da IMMOBILE Arquitetura

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Tendências do passado?

08:00:00
A dinâmica do mundo moderno nos traz elementos do passado como respostas ao presente. Ou poderíamos ressaltar que são problemáticas da dinâmica moderna que requerem soluções passadas.

Os elementos retrôs destacam-se em todos as áreas, seja na moda, na arquitetura, na decoração, e mesmo na tecnologia. Além dos elementos, situações passadas podem e servem como aprendizado ao futuro, como experiências vividas que retomam para demonstrar o que já existia. Assim, segue o pensamento de que o país já passou por crises e algumas soluções podem retomar, seja através de concepções inovadoras ou do aprendizado adquirido. No entanto, nunca podemos deixar de observar o que realmente seria adequado às novas realidades.


Diante de ações ou cenários passados, arrisco afirmar que o financiamento direto com as construtoras/incorporadoras retomará com destaque, já que as linhas de crédito com as instituições financeiras estão cada vez mais restritas ou com taxas mais elevadas. E ainda, para o construtor/incorporador será uma solução para manter seus clientes e reduzir as taxas de destrato, que hoje, estão aumentando. Antes dos avanços do crédito imobiliário, esta solução era quase que exclusiva do mercado imobiliário. Financiar diretamente o imóvel foi uma solução empregada por anos e só perdeu força quando o poder de atração dos financiamentos bancários estava em alta (crédito farto, baixos juros e facilidades). Agora, é bom destacar que nem todos os empreendedores terão fôlego financeiro para financiar seus lançamentos, e assim, mesmo não estando mais atrativos, as instituições ainda serão uma opção.

Outro fato que deve mudar ou retomar, será o aumento na locação de imóveis. Também, em decorrência das dificuldades nos financiamentos. Acredito que a alta de juros levará as parcelas dos financiamentos para valores muito superiores ao que os compradores dos imóveis estavam preparados a pagar, e assim, os novos clientes pensarão se comprarão determinado imóvel ou se optarão pela locação de um imóvel semelhante pagando o aluguel com parcelas idênticas, e até mesmo inferiores. Alguns especialistas sempre defenderam que a locação de imóvel é uma excelente alternativa, já que há uma maior flexibilidade quanto a mudanças, a depreciação do bem não atinge ao inquilino, e acima de tudo, os valores de locação podem ser atrativos quando comparados aos valores de parcelas de financiamento em cenários de juros altos.


Em meio às incertezas, não tenho dúvida que o financiamento direto com os empreendedores e os contratos de locação retomarão com força, caso o cenário nacional continue nebuloso como hoje. Agora, optando por estas alternativas, sugiro que o cliente comprador sempre pesquise e avalie as melhores opções. Quem sabe, questione aos mais velhos como no passado o mercado se comportava, afinal, a tendência de hoje pode ser a solução do passado.

Autor:  Expedito Júnior
            Arquiteto e Urbanista
            Especialista em Gestão Urbana e Ambiental
            CAU - RN: A39243-0        
           

Matéria publicada originalmente no jornal Cinform no dia 31/08/2015, também disponível no site da IMMOBILE Arquitetura


segunda-feira, 27 de julho de 2015

A criação de um lançamento de sucesso não está apenas no projeto

10:14:00
Em meio ao pessimismo do mercado e o cenário controverso, vê-se que alguns empreendimentos ainda continuam em destaque no mercado imobiliário, seja nacional, ou local. Tal fato está atrelado a inúmeros fatores, os quais já apresentados anteriormente, como o cuidado no desenvolvimento dos projetos, a identificação de demanda e localização estratégica. Entretanto, os fatores que norteiam o desenvolvimento inicial do produto imobiliário não devem ser encarados como sendo as únicas ações para atingir o sucesso de qualquer empreendimento, mas sim, a mola mestra, o ponto de partida para o sucesso.


Passada a fase de identificação da conceituação, viabilidade e desenvolvimentos dos projetos, chega o momento mais esperado por todos os envolvidos no mercado imobiliário: a hora de lançar o produto e encarar a aceitação dos clientes. Nesta fase, o produto já foi todo concebido, já teve sua demanda identificada, já levantou seus custos e valores de venda, seus pontos fortes e oportunidades de melhoria, ou seja, já se tem todo o cenário idealizado do empreendimento. Mas qual seria o próximo passo? Apenas lançar o produto colocando no mercado? Quais as estratégias a serem planejadas para o lançamento? O que fazer? São questões importantes de marketing imobiliário e comercialização que se somam ao resultado final. É o momento de expor a vitrine no mercado. O fato é que tudo que foi planejado pode vir por água abaixo se este ciclo não for cuidadosamente pensado como os primeiros.

Cada produto deve ser elaborado de forma diferenciada, respondendo ao que foi idealizado, no entanto, alguns pontos devem ser encarados como característicos a qualquer lançamento:

Fundo vetore desenhado por D3images - Freepik.com
  • O produto não deve ser lançado sem as devidas aprovações e registro de incorporação junto ao cartório;

  • As representações tanto gráficas, como através de maquetes físicas devem sempre seguir o que realmente será entregue;

  • As campanhas publicitárias devem surgir das identificações e demandas do produto e seu público alvo;

  • As campanhas devem ser criativas e que desperte o interesse do público alvo, evitando campanhas massivas e generalistas;

  • Definir bem sua equipe de vendas e suporte a vendas;

  • Treinar sua equipe de vendas de maneira técnica e produtiva, já que o atendimento ao cliente é o ápice da apresentação do produto;

  • Definir de forma clara as condições de comercialização, possíveis promoções e descontos;

  • Destacar e lembrar que o produto deve ser apresentado com as empresas que se envolveram com todo o processo, dando maior confiabilidade e profissionalismo;

  • Preocupar-se com a venda e o pós-venda, atendendo todas as demandas do cliente;

  • Sempre destacar a obra e sua qualidade, já que a execução é a realização do sonho adquirido.

Ainda seria possível elencar outros pontos, e até mesmo destacar fatores que fazem parte dessa fase de lançamento do produto. Entretanto, estes relacionados acima já representam de forma clara que para alcançar o sucesso dos projetos, não seria suficiente apenas as preocupações iniciais.

Enfim, sugiro que releia as atividades acima descritas para que haja um processo de memorização e relacionamento com os lançamentos já realizados no mercado sergipano. Seria possível identificar algumas falhas e acertos de nossos produtos. Se for comprar, se atente aos cuidados tomados com o imóvel. E se já comprou, reflita se você comprou o empreendimento ou seu processo de criação.

Autor:  Expedito Júnior
            Arquiteto e Urbanista
            Especialista em Gestão Urbana e Ambiental
            CAU - RN: A39243-0        
           

Matéria publicada originalmente no jornal Cinform no dia 27.07.2015, também disponível no site da IMMOBILE Arquitetura

Sobre a

IMMOBILEArquitetura

Ela foi idealizada em 2008 pelo arquiteto e urbanista Expedito Junior, com o objetivo de criar e implementar projetos de alta performance e profundidade técnica, executados para atingir os melhores índices de rentabilidade de acordo com a individualidade de cada empreendimento e negócio. Constituída por uma equipe de profissionais que possuem diferentes visões de mercado, procuramos manter um relacionamento estreito com os investidores, construtores e principalmente possibilitando a maior eficiência e agilidade nos processos de criação, regularização e entrega.




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