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terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Supremo Tribunal Federal define quem vai administrar a Zona de Expansão

03:28:00

O Supremo Tribunal Federal negou a ação movida por São Cristóvão para reconhecer a Zona de Expansão como território do município. A denúncia foi encaminhada ao Tribunal de Justiça de Sergipe, que decidiu encaminhar o processo ao STF em novembro de 2022.


A região que engloba os bairros Mosqueiro, Areia Branca e Robalo continuará sob gestão da Prefeitura de Aracaju. “A inclusão do bairro Mosqueiro nos limites do Município de São Cristóvão pela Lei 470/2020, sob o argumento de replicar o disposto na Lei Estadual 554/1954 em face de uma suposta determinação do STF, não pode ser mantida porque este TRIBUNAL não examinou sob essa ótica”, explica o ministro Alexandre de Moraes.

A Procuradoria-Geral do Município de Aracaju (PGM) se pronunciou sobre o caso, alegando acatar a decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região de tornar a região a capital.

Dentre os serviços oferecidos pela Prefeitura de Aracaju estão: 3 Unidades Básicas de Saúde que atendem cerca de 33 mil munícipes, 3 escolas municipais que atendem mais de 6,2 mil crianças, 12 linhas de ônibus que atendem cerca de 380 mil pessoas por mês.

Fonte: A8 Sergipe / Janeiro 2023

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Não jogue fora suas competências!

06:21:00

Os idosos têm maturidade, experiência, competências e vivências para lidar com aspectos comportamentais e de relacionamentos, o que falta nas gerações mais jovens. Os muitos anos possibilitam esse positivo acúmulo, que um dia os jovens, ao se tornarem idosos, com certeza terão. Isso pode transformar-se em sabedoria, criando o arquétipo do “velho sábio”, na medida em que o idoso desenvolve sua consciência para resgatar a dignidade de seu papel na sociedade. Esse é um processo de aprendizagem que cada um deve enfrentar, se quiser chegar lá.



Cada pessoa é única, mas, de forma muito geral, podemos dizer que os idosos querem sentir-se úteis à sociedade, que suas competências sejam usadas, que sua longa experiência de vida sirva de referencial para os mais jovens. O idoso, quando tem também o papel de aposentado, quer ser ativo e útil. Não quer “ficar no aposento”! Em nossa realidade brasileira, um grande número de idosos precisa receber uma retribuição financeira por seus serviços, para complementar o que recebem em suas aposentadorias, muitas vezes insuficientes para cobrir as despesas.


Os idosos têm muitas competências que podem ser úteis às organizações, quer seja onde tenham trabalhado, quer em outras que necessitem de seus conhecimentos. Isto gera um saudável movimento ganha-ganha, onde a organização ganha, o idoso ganha e porque não dizer que a sociedade também ganha. O ambiente organizacional precisa ajustar-se a essa tendência demográfica, pois os idosos, tendo trabalhado por décadas, não estão nessa fase da vida mais dispostos a longas jornadas de trabalho, a trabalhos nos finais de semana ou aturar chefes que não sabem liderar pessoas e equipes. Mas, dentro de suas realidades, trazem competências, lealdade e dedicação. Há iniciativas de uma nova legislação, o RETA – Regime Especial do Trabalhador Aposentado, que cria condições especiais para esse segmento, com estímulo à contratação de aposentados.


Os estudos de longevidade no Brasil mostram que em poucos anos teremos mais idosos de 65 anos ou mais, que jovens de 14 anos ou menos. Isso significa que haverá uma grande carência de pessoas jovens para ocupar cargos nas organizações, que precisarão recorrer a profissionais idosos. A grande oportunidade que se apresenta para as organizações depende da preparação das lideranças e dos próprios idosos para essa nova realidade que chega a passos largos em nosso país. Quais são algumas das ações que podem ser realizadas desde já?


  • Empresas

Realizar um diagnóstico para conhecer em detalhes a situação das pessoas que irão se aposentar, por exemplo, nos próximos cinco anos. Verificar quem é estratégico para as operações da empresa, e preparar a sucessão, ficando o idoso num novo papel de mentor/ coach, ou até continuar a exercer seu cargo, mesmo que já aposentado.

Realizar Pesquisa de Clima Organizacional para identificar áreas mais favoráveis e receptivas ao trabalho dos idosos, além de fatores como motivação para trabalhar, preparo das lideranças e adequação das políticas de gestão de pessoas e equipes.

Revisar as políticas de recrutamento & seleção, remuneração e desenvolvimento de pessoas, para se adequar a essa nova realidade demográfica.

Ampliar a visão de tempo da empresa, saindo do imediatismo do curto prazo para uma visão mais de médio/ longo prazo.

Condução de palestras para sensibilização da organização para os impactos da longevidade aumentada.


  • Lideranças

Preparar e desenvolver a essencial transição dos chefes para líderes, complementando formações técnicas de cada especialidade com o desenvolvimento de competências de gestão de pessoas e equipes, como o papel do gestor x papel técnico, liderança, equipe, comunicação & feedback, crises e mudanças, reuniões, longevidade.

Preparar as lideranças para o conhecimento das diferenças entre as diversas gerações e as melhores formas de relacionamento e comunicação. Um líder de 30 anos talvez precise liderar um profissional de 65 anos, e o contrário também é possível, e, em ambos os casos, o desenvolvimento de competências para essa realidade é mandatório.


  • Idosos
Os idosos têm competências e experiências úteis, que não podem ser desperdiçadas. Eles podem contribuir em atividades como:
Mentoria e coaching para profissionais jovens: a experiência e conhecimentos acumulados são uma enorme fonte de informações úteis aos mais jovens, e isto deve ser fortemente apoiado por todas as posições de liderança. Para se tornar um mentor é preciso uma cuidadosa seleção e preparação.


Inovações: os idosos têm muitas ideias e contribuições para melhoria de processos, para inovações em produtos e serviços, que podem ser colocadas em prática, trazendo bons resultados. Têm experiência e conhecimentos, têm tempo, imaginação, não estão mais pressionados pelas demandas do dia a dia e querem deixar marcas de sua passagem.

Representante da organização em associações profissionais: buscando conciliar interesses.

Executores de tarefas específicas: em função de necessidades, certas pessoas idosas poderão ter uma contribuição decisiva na realização de atividades especializadas e fornecer o know how necessário à busca de soluções. Esses profissionais podem preparar e conduzir cursos voltados a temas específicos de necessidade da organização. 

Registro da “memória”: muitas vezes o know how e experiências acumuladas pelos idosos se perdem com a sua saída. Ações coordenadas para registrar e organizar esse capital intelectual da organização resulta em evitar erros e difundir os conhecimentos acumulados. O apoio da área de TI a esse componente é fundamental para assegurar organização e acesso.

O coaching é especialmente necessário na decisão dos caminhos que cada um queira trilhar, para a preparação de ser menos executor e mais conselheiro, identificando as competências necessárias.

As organizações que querem ser bons lugares para se trabalhar, que geram orgulho nas pessoas em pertencer a seus quadros, que são reconhecidas pela sociedade e mercado como “amigas dos idosos” têm aí um roteiro básico do que fazer para aproveitar essa oportunidade demográfica, e sair na frente, antecipando-se às tendências e com isso incentivando a sustentabilidade e longevidade organizacional, devolvendo aos idosos que queiram integrar-se a esse projeto a dignidade pela qual tanto almejam.

Por Gustavo G. Boog, Coach, consultor, palestrante e escritor, Diretor da Boog Consultoria.
Fonte: CC Brasil | Janeiro 2023


quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

As apostas do mercado imobiliário para 2023

11:44:00

A melhor forma de acertar uma previsão é evitá-la; ou então, como a antiga sibila, predizer de forma suficientemente ambígua o futuro, para que todos os resultados caibam numa frase. Acertar o que vem pela frente é sempre mais difícil de explicar o passado quase nunca o futuro é o que se projetava. É a dança das circunstâncias e seus efeitos. Dito isto e correndo todos os riscos , seguem aqui algumas previsões e expectativas para o mercado imobiliário em 2023.


  • A volta do Minha Casa Minha Vida.

Não, não apenas o nome volta (essa eterna discussão de paternidade de programas), mas, sim, acredita-se em uma possível expansão da habitação econômica. Os motivos são vários: desde orientações de governo até, mais importante, o aumento de valor do imóvel no programa, mais crédito, e, sobretudo, uma demanda latente com pouco estoque disponível nas principais cidades brasileiras; Curitiba inclusive.

 

  • Aumento da taxa de locação e suas consequências.

O novo censo dirá que o mercado de locação cresceu, devido à renda e à baixa oferta adequada. Nesse sentido, mais empreendedores irão observar como atender a esse mercado de locação. Estamos falando de apartamentos mais compactos e mais centralizados.

 

  • Mais esforços de construção sustentável.

Houve a COP27, e começa a existir maior pressão ambiental da sociedade como um todo. Esse movimento que já é bem forte no setor, aos poucos vai se disseminar mais. ESG [environmental, social and governance, na sigla em inglês] pode ser mais uma dessas siglas da moda, mas o aspecto ambiental começa a se fazer mais presente nas construções e não será diferente em 2023.
 

  • Back to the office.

Quem ainda não voltou ao escritório, vai voltar. Claro, com umas folguinhas de sexta-feira e uma segunda em trânsito, que ninguém é de ferro. Apenas para alguns, lembremos.


  • A taxa de juros será o assunto do ano.

Como a relação é direta entre taxa de juros e mercado imobiliário, todos vão querer saber se, quando e quanto baixará a taxa de juros básica da economia. Todo investimento depende dela e, em última instância, o ritmo da mesma condiciona fortemente a construção civil.


Sim, a taxa de juros, arriscamos, será quase o único assunto do setor. Se mais alta e por mais tempo, haverá menos mercado. O contrário é igualmente verdadeiro. Então a pergunta real é: quando vai baixar a taxa de juros? Não arrisco nenhuma previsão.


Fonte: Gazeta do Povo | Dezembro 2022

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

A cidade de 15 minutos, uma utopia que se aproxima?

05:54:00

 Criar lugares que permitam que as principais atividades do dia a dia sejam realizadas apenas com uma caminhada ou uma volta de bicicleta é o foco dessa proposta urbanística, que projeta as regiões em escala humana e tira o protagonismo dos veículos.

 

Moradia, trabalho, lazer, comércio, áreas verdes e serviços dispostos a uma distância que pode ser percorrida, a pé ou pedalando, em até um quarto de hora. Essa é a ideia central da Cidade de 15 Minutos, um conceito de planejamento urbano que ganhou mais visibilidade a partir da sua adoção pela capital da França e da pandemia de coronavírus que demonstrou a necessidade de repensar o desenho e a mobilidade dos municípios. Diminuir os deslocamentos e, especialmente, o uso dos carros e desenvolver localidades inclusivas, dinâmicas e sustentáveis são os objetivos do método idealizado pelo pesquisador franco-colombiano e professor associado da Universidade Paris 1 Panthéon Sorbonne, Carlos Moreno. 


Inspirado pelo pensamento da escritora e ativista Jane Jacobs de que os espaços para serem vivos precisam aproximar diferentes funções e serem convidativos para que as pessoas utilizem as ruas, o modelo de Moreno busca um caminho para voltar às cidades em escala humana. Sua concepção vai na contramão da difundida pela escola Modernista do início do século 20, marcada pelo zoneamento dos municípios e pela separação das residências, empregos e entretenimento, como ressaltou o pesquisador em palestra para o TED Talks. Ele acredita ainda que regiões elaboradas dentro da sua proposta ajudam os indivíduos a se reconectarem com as suas comunidades e a efetuarem nelas todas as suas atividades, movimentando também a economia local.


Os princípios que norteiam a Cidade de 15 minutos são ecologia, proximidade, solidariedade e participação, explica Moreno em matéria que fizemos para o nosso portal. O professor complementa que o conceito criado por ele envolve ainda três características fundamentais: o ritmo dos municípios deve ser o do homem e não o dos automóveis, cada metro quadrado deve servir para diversos usos e as áreas precisam ser projetadas para que os cidadãos possam morar, trabalhar e prosperar sem ter que fazer grandes e frequentes percursos. “Não me levam a mal, não almejo que as localidades virem aldeias rurais. Mas, precisamos tornar a vida urbana mais agradável, ágil, saudável e flexível. Para isso, temos que garantir que todos, habitem nas regiões centrais ou periféricas, tenham acesso aos principais serviços perto de suas casas”, enfatiza. 

 

O modelo de Moreno pode contribuir para a prática do urbanismo, pois se trata de “uma escala de planejamento negligenciada, que é maior que um bairro, mas menor que uma área metropolitana. Ele (o professor fraco-colombiano) mostra onde localizar instalações que atendem a várias comunidades”, opinam em artigo o arquiteto e urbanista e cofundador do Congresso para o Novo Urbanismo (CNU), Andrés Duany, e o editor do Public Square – jornal do CNU onde foi divulgado o texto –, Robert Steuteville. Para eles, a Cidade de 15 Minutos pode ser definida como uma “geografia ideal onde a maioria das necessidades humanas e muitos desejos estão a uma distância de um quarto de hora”. Duany e Steuteville observam que, embora os carros possam ser acomodados dentro das localidades pensadas a partir dessa visão, os veículos – incluindo o transporte público – não devem determinar a sua forma.


Grande parte das áreas urbanas erguidas antes da disseminação massiva dos automóveis, lembram os autores do artigo, possui a estrutura de uma Cidade de 15 Minutos, por isso a meta de restaurar esses lugares pode ser mais fácil do que se imagina, dependendo, é claro, das alterações que possam ter sido promovidas nos bairros, como a instalação de estradas, perda de população e falta de investimentos. Já nos locais mais recentes, que tiveram o seu desenho orientado pelos carros, a tarefa será mais difícil, apontam os integrantes do CNU. 


Os municípios que conseguem colocar em prática o método de Moreno desencadeiam mudanças que levam a benefícios como estabelecer comunidades socioeconômicas justas, uma vez que as pessoas que não possuem veículos também acessam facilmente todos serviços e estruturas existentes na região, descrevem Duany e Steuteville. Ainda segundo eles, esse tipo de configuração, por ser uma área pequena, permite obter um indicador mais confiável sobre a diversidade do bairro e há uma redução do impacto ambiental, já que os deslocamentos de automóvel são diminuídos. O aumento da mobilidade ativa caminhada e ciclismo traz, inclusive, vantagens para o bem-estar e a saúde dos indivíduos que circulam mais por localidades compactas.


Desenho da Cidade de 15 Minutos abrange diferentes tipos de moradia, comodidades e tempos de locomoção 

Uma caminhada média de cinco minutos é a escala de um bairro utilizada geralmente nos projetos de novos urbanistas, que desenvolvem planos urbanos caracterizados por círculos de um quarto de milha (cerca de 400 metros), chamados de “galpões de pedestres”, relatam Andrés Duany Robert e Steuteville em seu artigo para o Public Square. Os autores reforçam que essa referência ainda é importante para os planejadores, mas que na Cidade de 15 Minutos é preciso pensar em uma “escala capaz de atender a todas as necessidades diárias e semanais das pessoas”.


Nesse sentido, eles afirmam que o desenho desse tipo de localidade combina três níveis de galpões, cada um deles com uma densidade bruta de, pelo menos, oito unidades habitacionais por acre (4.046 metros quadrados) incluindo espaço aberto, instalações comunitárias e cívicas e uma diversidade de casas: individuais, geminadas e multifamiliares. Em um cenário que remete à densidade de municípios norte-americanos tradicionais, como a Filadélfia (Pensilvânia) e Washington D.C., exemplificam. Um dos círculos é o que corresponde ao de uma caminhada de cinco minutos do ponto central até a borda. Ele se configura como o bairro individual que tem uma gama variada de moradias e uma praça ou rua principal com uso misto, pode contar com empresas de pequeno porte e ainda supre as demandas diárias de seus residentes. A população calculada para essa região é de 2,6 mil cidadãos.

Outro galpão é o de uma caminhada de 15 minutos do centro até a borda (com uma distância de três quartos de milha aproximadamente 1,2 mil metros). No interior desse círculo existe um “mix completo de usos, com mercearia, farmácia, comércio variado e escolas públicas” para atender às necessidades diárias e semanais. Além disso, detalham Duany e Steuteville, há parques visitados por habitantes de diversos bairros, grandes empregadores porém não os maiores da área – e acesso ao trânsito regional. Em torno de 23 mil moradores é a população estimada para essa parte da localidade imaginada pelo pesquisador Carlos Moreno.


E o terceiro nível é o composto pelo galpão de 15 minutos de bicicleta, que possibilita chegar às principais instalações culturais, médicas e de ensino superior. Com uma extensão de três milhas (cerca de 4,8 mil metros), esse círculo possui os grandes empregadores, os parques regionais, o contato com o trânsito intermunicipal e responde às demandas especiais de seus residentes. O raio de três milhas que pode ser percorrido pedalando é o que define o tamanho total da Cidade de 15 Minutos que tem uma população prevista de 350 mil pessoas, informam os integrantes do Congresso para o Novo Urbanismo (CNU).

Duany e Steuteville frisam que esses padrões são os mínimos para se ter uma região dentro dos critérios concebidos por Moreno. De acordo com o artigo do Public Square, dependendo da mistura de zonas urbanas e rurais, pode-se contar com uma densidade mais elevada e os habitantes da área central podem ter mais serviços e comércios disponibilizados em seu galpão de cinco minutos de caminhada. Outro fator essencial assinalado pelos autores é a construção de um “tecido urbano caminhável” para fazer com que esse desenho de localidade funcione. Isso envolve planejar uma rede de ruas conectadas, com passagens e caminhos, e pequenos quarteirões costurando os bairros.



Repensar o conceito para outras áreas e densidades é o novo desafio de Moreno

Ao estruturar os três níveis que compõem a Cidade de 15 Minutos também podem surgir dificuldades para os planejadores urbanos, que precisarão lidar com questões como incluir conexões com o transporte público e com outras regiões através dos carros e ainda pensar no uso futuro de pequenos veículos elétricos, sem perder o foco de que eles não devem determinar a escala da localidade, como salientam Andrés Duany e Robert Steuteville no Public Square. A formação de barreiras que podem separar as vizinhanças e criar espaços vazios que descontinuam o fluxo de circulação de pessoas as “fronteiras desertas” como definiu Jane Jacobs é outro problema que pode surgir ao desenhar esses lugares. 


A rede viária, campi de universidades, grandes pátios de escolas, complexos hospitalares e, até mesmo, amplas áreas verdes podem se tornar uma “sombra de pedestres”, como identificaram Duany e Steuteville. Conforme eles, algumas iniciativas podem ser adotadas para reverter ou amenizar os efeitos dessas fronteiras, como reprojetar total ou parcialmente uma via arterial para disponibilizar serviços essenciais do outro lado da barreira e alterar o zoneamento para reduzir os vácuos. No entanto, os autores do artigo no jornal do Congresso para o Novo Urbanismo destacam que essas imperfeiçoes que surgem no traçado podem servir a outros propósitos. “Uma região menos valiosa pode ser uma oportunidade para aluguéis mais baixos e atrações como uma boate, que poderia ser inadequada em outro ponto da Cidade de 15 Minutos”, argumentam.


Por sua inovação, o modelo do pesquisador e professor Carlos Moreno recebeu, em 2021, o Prêmio Obel da Fundação Henrik Frode Obel, que celebra as principais contribuições arquitetônicas para o desenvolvimento humano, como ressalta matéria da revista Dezeen. Com um júri composto por profissionais como a arquiteta e paisagista Martha Schwartz e os arquitetos Kjetil Thorsen, do escritório norueguês Snøhetta, Louis Becker, da empresa dinamarquesa Henning Larsen Architects, e Xu Tiantian, do estúdio chinês DnA Design And Architecture, e pelo acadêmico Wilhelm Vossenkuhl, a proposta de Moreno foi vista como “um verdadeiro passo em direção ao futuro”. 


Com o valor recebido com a premiação 100 mil Euros (cerca de R$ 553 mil, em julho de 2022), o pesquisador e sua equipe estão agora, segundo a Dezeen, adaptando o método da Cidade de 15 Minutos para aplicá-lo em lugares com densidades diferentes, desde pequenas localidades às de médio porte e aos territórios rurais. “Precisamos manter o conceito, mas imaginar novas formas de implementar seu princípio de proximidade em outras densidades”, enfatizou Moreno.


Além de Paris, outros municípios vêm se direcionando para reformular seus espaços urbanos e contar com as vantagens de realizar as atividades diárias caminhando ou pedalando curtas distâncias, como Copenhagen (Dinamarca) e Melbourne (Austrália), que lançou um projeto-piloto, em 2018, de bairros de 20 minutos. Para saber quais são as cidades dos Estados Unidos que estão mais alinhadas com o modelo de Moreno, a companhia Here Technologies elaborou um mapa interativo que mostra as comunidades que contam com moradia, serviços, comércio e outras comodidades facilmente acessados, aponta reportagem do ArchDaily. A pesquisa é feita através do código postal e revela aquilo que pode ser encontrado em uma caminhada de 15 minutos, uma de 20 minutos e em um trajeto de um quarto de hora feito de automóvel.

 

Fonte: Somos Cidade | Dezembro 2022

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Gentilezas urbanas, qualidade de vida e o papel da iniciativa privada

07:05:00

Mecanismos para melhorar a qualidade de vida nas cidades: das grandes intervenções públicas às pequenas e fundamentais responsabilidades da iniciativa privada

O crescimento exponencial das cidades ao redor do mundo tem imposto novas complexidades para a promoção de qualidade de vida para seus moradores. O tema já é largamente debatido, e inúmeras soluções são propostas e aplicadas, porém o caminho ainda parece desafiador. Quando pensamos nas cidades brasileiras então, a questão se torna ainda mais preocupante.

Já é consenso que o objetivo finalístico das cidades e de seus empreendimentos deva ser a qualidade de vida das pessoas, ainda que a definição deste conceito possa ser bastante incerta e condicionada ao comportamento e cultura de cada local. A tropicalização e regionalização das medidas no âmbito urbano e imobiliário para o alcance deste objetivo são, portanto, imprescindíveis. Neste contexto, surgem pequenas intervenções e ações locais capazes de ganhos relevantes para suas populações, as chamadas ‘gentilezas urbanas’.

Imagem: Parklet no Bairro do Butantã, São Paulo – Site Prefeitura de São Paulo/Divulgação

Gentileza Urbana é uma responsabilidade compartilhada
Termo de autoria incerta, mas comumente atribuído a José Datrino (1917 – 1996), o Profeta Gentileza, ‘gentileza urbana’ corresponde, segundo o IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil), a iniciativas que favorecem o urbanismo e o paisagismo público, implantadas por empresas e empreendedores, ou seja, pela iniciativa privada.


Imagem: Pilastra do Viaduto do Gasômetro – Prefeitura do Rio de Janeiro/Divulgação

Ainda que o papel do poder público contemple a complexa atribuição de gerir e ordenar o espaço urbano, também comporta ações e implantações de elementos que promovam maior qualidade de vida a seus cidadãos.

Este papel tem sido bastante presente em iniciativas de vanguarda no planejamento urbano ao redor do mundo, desde os espaços público projetados pelo arquiteto Jan Gehl em Copenhagen, chegando a projetos ambiciosos, como a Paris de 15 minutos e as superquadras de Barcelona. Nestes projetos ocorrem intervenções de impacto urbano, mas que também apresentam soluções singelas e pouco custosas que podem ser adaptadas e replicadas por empreendedores imobiliários e outros agentes da iniciativa privada.



Grandes ou pequenos detalhes importam
No Brasil, tais exemplos já podem ser vistos em alguns lugares. Projetos imobiliários de grande porte, como o desenvolvimento de bairros planejados, tem sido pensados e desenvolvidos com um olhar muito mais cuidadoso, alinhado com conceitos modernos do Novo Urbanismo.

A Cidade Pedra Branca, por exemplo, um dos precursores deste novo modelo de urbanização em solo brasileiro, oferece calçadas largas, mobiliário urbano funcional e atraente, ruas acalmadas, conexão dos espaços privados com o espaço público. Diversos outros projetos de destaque também disponibilizam soluções nesta linha.


No entanto, o dia a dia das pessoas também pode ser impactado por pequenos detalhes, pequenas intervenções como já visto anteriormente. O zoom local passa a ter uma representatividade similar na promoção da qualidade de vida, e é aqui que os empreendimentos imobiliários aparecem, independentemente de seu porte.


Até mesmo na rua da minha casa pode-se notar um pequeno cuidado que os empreendimentos podem ter no desenvolvimento de seus projetos. As duas imagens abaixo ilustram as calçadas dos dois lados da rua: de um lado, uma calçada estreita que obriga o pedestre a competir pelo espaço com postes e lixeiras; do outro, ainda que a calçada em si possua largura similar, o jardim oferecido pelo condomínio residencial (construído em 1978!) permite melhor distribuição do espaço, promovendo uma percepção de amplitude e proximidade com o verde.


Imagens: (1) Rua com calçadas antagônicas; (2) Compartilhamento de livros; Integração de espaços privados com espaços públicos: (3) parklet – Leandro Begara/Divulgação

 

Empreendedor, é hora de agir
Fica muito claro que a responsabilidade de promover uma cidade mais humana, mais agradável e gentil deve ser atribuída a todos os entes públicos e privados. Os empreendedores imobiliários, como agentes fundamentais na construção das cidades, devem assumir sua parcela e pensar seus projetos também como um legado, com grande apelo mercadológico e chamariz comercial.

Para tanto, conte com a Urban Systems para avaliar os desejos do público local e oferecer pequenas gentilezas urbanas que agregarão enorme valor a seus projetos.


O ‘Profeta Gentileza’ recebeu esta alcunha por suas iniciativas de espalhar intervenções, mensagens positivas e críticas sociais nas pilastras do Viaduto do Gasômetro, no Rio de Janeiro.


Fonte: Blog | Novembro 2022

Sobre a

IMMOBILE Arquitetura

Ela foi idealizada em 2008 pelo arquiteto e urbanista Expedito Junior, com o objetivo de criar e implementar projetos de alta performance e profundidade técnica, executados para atingir os melhores índices de rentabilidade de acordo com a individualidade de cada empreendimento e negócio. Constituída por uma equipe de profissionais que possuem diferentes visões de mercado, procuramos manter um relacionamento estreito com os investidores, construtores e principalmente possibilitando a maior eficiência e agilidade nos processos de criação, regularização e entrega.




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