segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Legislação x boa arquitetura

08:00:00
Como de costume, inicio a semana pesquisando e lendo um pouco mais sobre mercado imobiliário e questões urbanas, levando em conta todos os burburinhos da crise e ações criativas pelo Brasil afora. Aprofundo neste período minha leitura nas temáticas de Gestão Compartilhada e Viabilidade Econômica, entretanto, foi um dos blogs que acompanho, o Caos Planejado, que mais prendeu minha atenção com um dos seus temas. A página trata de como a legislação impede a boa arquitetura, relatando as relações de restrições legais à conformação urbana.

Fonte: Freepik
Bem, apesar do desenrolar do texto tratar de outro município, Porto Alegre, concordei de imediato com a afirmativa do Arquiteto Rodrigo Petersen, que em alguns momentos as determinações são tão restritivas que o “Plano Diretor praticamente assume o papel de Arquiteto, ‘desenhando’ o empreendimento com seu conjunto de normas”. Então, parei e comecei a fazer analogias com a nossa realidade, levando em conta principalmente as novas tratativas que a revisão do Plano Diretor trará, a qual vem jogando abaixo boa parte das práticas arquitetônicas e urbanas dos últimos 12 a 15 anos, não levando em conta se tais práticas eram certas ou erradas, melhores ou piores do que se propõem, e sim, simplesmente mudando.

Não levantando a discussão quanto ao que o novo Plano Diretor pretende, quero retomar a afirmativa do colega arquiteto, pois, realmente a identificação é imediata na relação dos nossos projetos com as restrições exacerbadas. Entendo perfeitamente boa parte das restrições e acredito que algumas são extremamente necessárias, sejam quanto a segurança, quanto a permeabilidade do solo, das relações urbanas e sociais, dentre outras. Agora, realmente o PDDU – Plano de Desenvolvimento Urbano, juntamente com o Código de Obras, restringe nossa capacidade de criar e imaginar. Projetamos e idealizamos com a legislação no colo, e esta, sendo levada como uma borracha, usada a cada traçado, a cada solução a ser proposta. Não esquecendo do pior, que são as interpretações da legislação, às vezes de maneira consensual ou impeditiva, e de outras vezes incompreensíveis.

Conversa entre parceiros da arquitetura
Fonte: Freepik
Diante de nossa realidade, temos nossa formação de arquitetura e urbanismo, mas devemos assumir um pouco do papel do engenheiro, do advogado, do ambientalista, do bombeiro, do fiscal de obras, do economista, do usuário, dentre outros papéis múltiplos. Como defendemos a Arquitetura Pensada, idealizada para viabilizar em todas esferas os seus projetos, vejo que sempre é possível inovar, mesmo em meio a tantas restrições e burocracia. Os prédios e soluções arquitetônicas podem e devem se repetir como respostas a restrições, mas haverá um momento que a criatividade surgirá como solução a tais restrições, e a arquitetura passa a representar a inovação, não apenas um desenho burocrata. Inovar é necessário, mesmo que o cenário não seja nada favorável, pois ou criamos algo novo, ou remodelamos algo antigo.

Enfim, quem sabe nossos colegas arquitetos e urbanistas passem a criar e imaginar mais, antes do desenvolvimento de novas restrições. Quem sabe podemos ser limitados pela exigência do mercado consumidor e não apenas por predeterminações. Quem sabe a boa arquitetura retomará sua liberdade de criação, sem amarras legais e financeiras. Quem sabe o mercado imobiliário não passará a exigir mais de nossos projetos, e que estes não sejam apenas soluções da engenharia financeira.

Autor:  Expedito Júnior
            Arquiteto e Urbanista
            Especialista em Gestão Urbana e Ambiental
            CAU - RN: A39243-0  
           

Matéria publicada originalmente no jornal Cinform no dia 30/11/2015, também disponível no site da IMMOBILE Arquitetura


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O diálogo com o mercado

08:00:00
Participação 12° jornada de arquitetura - UNIT

Na última quarta-feira, 11, participei da 12ª jornada de Arquitetura da Universidade Tiradentes, entidade de ensino onde me formei como Arquiteto e Urbanista em 2003. Integrei a mesa redonda para discussão quanto ao tema “A cidade que a gente quer”, onde apresentei três pontos relacionados ao mercado imobiliário, fundamentais para o desenvolvimento da cidade. Na oportunidade, também pude descrever um pouco de minha trajetória profissional, através das empresas Immobile Arquitetura e Nova Sergipe. Mas destaco, neste artigo, um dos pontos apresentados que deveria sempre estar presente na relação entre todos e tudo.

Destaquei em minha apresentação, os seguintes pontos: a verticalização como fator inevitável ao desenvolvimento das cidades, no entanto, buscando uma forma mais ordenada e com controle sobre a densidade; As comunidades planejadas, novo conceito para os bairros planejados, cujas áreas são organizadas de forma a garantir uma ocupação inteligente e sustentável dos espaços urbanos; e por último, o diálogo entre as iniciativas pública e a privada, destacando que devemos deixar de lado as indiferenças de pensamentos e as acusações mútuas para que as ações de desenvolvimento das áreas urbanas, e mesmo a cidade, possam ser alinhadas para o bem coletivo. Ainda, no final de minha participação, convergi os três pontos para um conceito que vem crescendo em todo o mundo, que são as “smart cities”, ou cidades inteligentes, onde há um maior envolvimento no desenvolvimento sustentável destes locais, tendo como grande propulsora dessa dinâmica, a tecnologia e as relações urbanas.
 12° Jornada de arquitetura e urbanismo

Mas concluída as apresentações e abordagens dos demais profissionais envolvidos na mesa redonda, como a amiga e arquiteta Sarah França, percebi que devo entender melhor as relações entre a cidade através do diálogo, seja com outros profissionais da área, com as entidades de ensino, públicas, empresas e a sociedade em geral. O diálogo surgiu como ponto de reflexão e análise quando do entendimento das relações urbanas. Mas pude ir além, já que é possível identificar que alguns empreendimentos, projetos e construtores, não dialogam com a cidade, com o mercado e até mesmo, com os seus clientes. Parei para me questionar quanto aos empreendimentos que não vendem, que não são bem aceitos pelo público. Será que eles não têm algo para aprendermos? Como podemos entender melhor o diálogo junto ao mercado? E através do cliente?

Bem verdade que o diálogo deveria estar presente em todas as relações, sejam pessoais ou não. Remeto a diversas ocasiões que dúvidas, esclarecimentos e até discussões fervorosas, poderiam ser resolvidas antecipadamente com um simples diálogo. Ressalto que esta abertura comunicacional é a pura manifestação de ideias, uma troca de impressões e entendimentos, mesmo que não gerem um resultado único, mas permitindo um entendimento das partes envolvidas. E assim, reforço minhas indagações do porquê não dialogarmos mais com o mercado e seus envolvidos. Tenho certeza que os produtos imobiliários mais bem aceitos pelos clientes, são resultado da transmissão mais clara em atender desejos e anseios dos seus compradores, ou seja, houve uma boa troca de ideia entre demanda e oferta.

Discussão em grupo para evolução

Em tempo de crise, de incertezas e questionamentos, a troca de informações do mercado deverá ser uma excelente forma de evolução para todos, desde que possamos identificar o que se pretende dizer. Enfim, é conversando que a gente se entende. Por isso, o intercâmbio proporcionado junto aos acadêmicos, professores e colegas durante esta Jornada de Arquitetura em 2015 trouxe troca, ideias, compartilhamento de conhecimento e claro, um maior amadurecimento entre os presentes. Agradeço publicamente através deste espaço, a iniciativa da Universidade Tiradentes e o convite feito a este arquiteto para participar do sublime momento.

Autor:  Expedito Júnior
            Arquiteto e Urbanista
            Especialista em Gestão Urbana e Ambiental
            CAU - RN: A39243-0    
           

Matéria publicada originalmente no jornal Cinform no dia 16/11/2015, também disponível no site da IMMOBILE Arquitetura

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Esperança que se renova?

08:00:00
Para muitos o ano foi perdido, para outros as coisas ainda vão piorar, mas tenho certeza que para quem participará e visitará a Feira de Imóveis da Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário (ADEMI-SE), de 4 a 7 de novembro, boas surpresas estarão reservadas no Iate Clube, local onde ocorrerá o evento. Apesar de inúmeras campanhas de vendas lançadas durante o ano e outros esforços individuais das construtoras, vistos em diversas mídias, sabe-se que é em um evento do setor imobiliário que toda a força de venda se concentra.


Diante do cenário atual, já posso antever que serão poucas as construtoras com grandes novidades, e que também todas as participantes estarão dispostas a negociar e fechar novos contratos. Assim, o momento será extremamente propício à realização do sonho de adquirir a casa própria, com preços e condições especiais. Seja com a aquisição de novos empreendimentos, seja com a compra de imóveis em construção ou prontos para morar, os compradores e as construtoras devem estar atentos a tudo em volta, levando a fundo os questionamentos do personagem principal desta história: o cliente. O comprador por sua vez deve sempre pesquisar e não ser iludido por promoções mirabolantes, comprando o empreendimento realmente adequado a sua realidade financeira e que represente de forma geral, o sonho da casa própria. Além das condições financeiras favoráveis à aquisição, vale investigar se a área de lazer contempla a todos os integrantes da família, bem como se o imóvel proporciona comodidade e conforto para as atividades rotineiras. Para os construtores, incorporadores e imobiliárias, destaco que o momento é de atenção às reações dos clientes, ao entendimento do próprio mercado.


A preocupação do cliente até já pode ser entendida em virtude do próprio momento do País e as inúmeras notícias e informações repassadas pela mídia diariamente, mas para construtores e imobiliárias, o alerta deve ser levado mais a sério. É fácil encontrarmos falhas na comunicação na venda de produtos, despreparo de alguns quanto ao conhecimento dos projetos vendidos, a falta de traquejo em conduzir negociações, a repetições de modelos antigos de projetos e marketing, a falta de inovações que possam atrair os clientes, o entusiasmo em realizar o sonho daqueles que o buscam, dentre outros inúmeros fatores. Assim, alerto que a esperança será renovada para aqueles que souberem aproveitar a oportunidade de aprender com seu próprio mercado, que estiverem atentos aos sinais e puderem evoluir a cada momento, pois, vender bem hoje um produto comum, não quer dizer que ele será aceito nos dias vindouros.

Este puro conceito de esperança, entendido como estado em que se crê naquilo que se deseja ou pretende, é possível. Este sentimento sempre norteará o mercado imobiliário e seus consumidores. Mas não será de esperança que as empresas se manterão. É tempo de mudar e evoluir, inovar e buscar maior autoconhecimento. Clientes e mercados mais exigentes demandarão produtos e soluções melhores, e assim, concluo que tenho esperança não apenas na Feira de Imóveis que acontecerá, como também, que o futuro da incorporação imobiliária evoluirá de forma criativa e inovadora.

Autor:  Expedito Júnior
            Arquiteto e Urbanista
            Especialista em Gestão Urbana e Ambiental
            CAU - RN: A39243-0      
           

Matéria publicada originalmente no jornal Cinform no dia 02/11/2015, também disponível no site da IMMOBILE Arquitetura

Sobre a

IMMOBILEArquitetura

Ela foi idealizada em 2008 pelo arquiteto e urbanista Expedito Junior, com o objetivo de criar e implementar projetos de alta performance e profundidade técnica, executados para atingir os melhores índices de rentabilidade de acordo com a individualidade de cada empreendimento e negócio. Constituída por uma equipe de profissionais que possuem diferentes visões de mercado, procuramos manter um relacionamento estreito com os investidores, construtores e principalmente possibilitando a maior eficiência e agilidade nos processos de criação, regularização e entrega.




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